Excerto de Percepção

(…) Eram 2 da tarde de Sábado. Um Sábado que seria como tantos outros, não fosse o facto de Joana aguardar, impacientemente, um telefonema de Mark. Toda aquela conversa com Lara mexera com ela e, se ela fosse esperta, o melhor que teria a fazer seria afastar-se daquilo que parecia ser um desastre de proporções épicas.

Joana nunca gostara de galãs, engatatões que enchiam o próprio ego à custa do orgulho alheio. Não, definitivamente ela não gostava desses tipos, que chegavam de mansinho, típicos meninos de bem que só queriam divertir-se, independentemente de quantas pessoas magoassem pelo caminho.

O melhor seria mesmo esquecer aquele tema. Se ele ligasse, ela mandá-lo-ia passear! Delicadamente, claro! Se ele não ligasse, melhor ainda! O tema ficaria resolvido.

O problema é que ela sentia-se cada vez mais impaciente, desejosa de ouvir a voz dele. O que era totalmente imbecil e contra a sua natureza e ideia de auto-preservação.

Joana saíra de casa de Lara, após James voltar da sua corrida. James era um aficionado do desporto ao ar livre, o que era muito interessante, tendo em conta que o desporto de eleição de Lara consistia em pressionar o botão do controlo remoto da televisão.

Aquelas discussões familiares eram sempre muito engraçadas! Joana divertia-se a observar aqueles momentos de embirração descontraída, em que James tentava convencer a sua cara-metade a largar o sofá nas horas livres e acompanhá-lo numa corrida.

A parte mais engraçada era sempre a cara de Lara, que não conseguia compreender o que era que ele não compreendia na sua relutância em fazer aquele tipo de exercício. Para ela, correr sem destino e sem propósito, era simplesmente aborrecido.

Ela intitulava-se uma “surfista de sofá”. E se ele ainda fizesse surf, ela ainda conseguiria entender a sua fixação. Agora correr?! Só se fosse dali para fora!

Joana encontrava-se à porta do Metro, com toda a intenção de voltar para casa, quando o seu telemóvel vibrou. Deu um salto, assustando-se com o inesperado movimento do aparelho no seu bolso. Virando-se rapidamente no sentido inverso, caminhou para a rua. Se fosse Mark não poderia dar-se ao luxo de perder a rede dentro dos estreitos e profundos túneis do Metro de Londres. Hesitou enquanto olhava para o visor. Número desconhecido.

“Estou?”

“Sim! Sou eu… Mark. Estás ocupada? Podes falar?”

Do outro lado Joana respondia, reagindo à voz dele, tão estranhamente familiar.

“Posso falar, claro!”, e mais uma vez a resposta saia-lhe demasiado intensa.

A sua mente dizia-lhe que ela precisava disfarçar, de se afastar, de acabar com aquela conversa, mas o que imperava no seu espírito era que ele lhe ligara.

“Como estás? Desde ontem…”, Joana acrescentou, tentando apaziguar o seu tom de voz, que mais uma vez lhe saía esquisito.

“Estou como me deixaste! Ansioso por voltar a ver-te!”, parecia-lhe que Mark sorria do outro lado da linha, enquanto respondia com jocosidade.

Aquela resposta apanhou-a desprevenida. Ler sentimentos inequivocamente através do telefone era difícil para ela, mas parecia que ele falava verdade. E se assim era ela já estava metida em problemas.

Ou então poderia ser uma linha, um piropo eternamente usado, e de eficácia comprovada! Se bem que ele não lhe parecera nada fluente naquele departamento. Seria mais uma linha? Ele teria percebido imediatamente que ela não iria cair numa conversa fiada do tipo “tens uns olhos lindos”, ou qualquer outra porcaria do género.

“E tu? Estás bem? Espero não ter interrompido nada…”, ele continuou.

“Estou bem. E não interrompes nada, estive com uma amiga… mas já estou a voltar para casa.” Mas porque raio estava ela a dar tantas informações?! O que é que lhe interessava com quem é que ela teria estado? Aquilo não era normal!

“Se estás na rua, podíamos encontrar-nos… isto é, se puderes… Eu estava a pensar visitar o British Museum, mas receava que o tivesses incluído na visita de amanhã, por isso decidi ligar-te antes que pudesse estar a cometer um erro crasso. E longe de mim querer estragar o nosso dia de amanhã…”, Mark parecia ter sido apanhado de surpresa por aquele seu longo discurso, carregado de desculpas e de motivos e de atrapalhação.

“Vais ao British? Eu adoro o British!”, Joana respondia emotivamente.

E aquela era a mais absoluta verdade, apesar de voltar a lamentar o tom das suas respostas. E continuar a chamar-se estúpida por não saber esconder as suas reacções.

Imagens da imponente entrada principal do edifício, inspirada pelos Templos Gregos, preenchiam a sua mente. A biblioteca Central enchia-lhe todas as medidas. Poder observar aquela sala repleta de livros, a sua atmosfera impregnada de histórias do passado e de pesquisadores do presente, era um prazer para ela.

E nada era mais agradável que “perder-se” naquelas salas repletas de tesouros de todo o mundo, muitas delas contando já mais de dois mil anos de existência. Passar o fim de tarde no British, na companhia de Mark, haveria algo mais perigoso?! Ou melhor?!

“Acredito! Mas ainda não me disseste se é seguro visitá-lo hoje ou se o incluíste no passeio de amanhã…”

“Confesso que ainda não defini o roteiro totalmente… se quiseres lá ir hoje, amanhã não o incluo… Podes ir descansado.”, Joana retorquia, rezando para que o desapontamento não fosse perceptível no tom da sua voz.

“Vem ter comigo. Visitamo-lo juntos hoje.”, Mark afirmava, afastando qualquer questão do seu discurso, como se não quisesse dar-lhe a escolher, temendo uma recusa.

“Encontramo-nos na porta principal, na entrada Sul, e passamos a tarde enterrados em história e cultura mundial.”, Mark continuou descontraidamente.

Joana hesitou, precisando de alguns momentos para aclarar as ideias, afinal ainda há minutos convencera-se de que o melhor seria quebrar todo o contacto com Mark. Mas a desilusão que sentira quando ele lhe dissera que pensava visitar o British Museum sem ela era inequívoca, por mais que isso a assustasse.

Só era um dos seus sítios preferidos em toda a cidade de Londres. E ele iria sem ela… ou talvez não. Afinal era só um passeio. Como amigos. Certo! Ela só precisava de se concentrar nisso.

“OK. Vemo-nos dentro de trinta minutos. Até já!”, Joana respondeu.

“Óptimo. Vemo-nos em trinta minutos.”, Mark assentiu.

Joana quase corria pelas escadas rolantes de acesso aos túneis do Metro. Tinha trinta minutos para chegar ao British. E isso soava a pura felicidade!

Ela sentia-se ansiosa, enlevada, feliz… A sua mente parecia concentrar-se mais nestes sentimentos do que em quaisquer outros que a rodeavam. Enquanto aguardava na gare, olhou em volta, o túnel tinha algumas pessoas, muitos casais que namoravam abertamente, de mãos entrelaçadas e faces rosadas. Alguns grupos de amigos sentavam-se ali perto. O ocasional grupo de turistas, claramente espantados com a dinâmica daqueles túneis e com o ambiente eclético da cidade.

A tranquilidade de uma tarde de Sábado, repleta de amor, amizade e felicidade, era tudo o que ela precisava para se abastecer dos sentimentos certos. E do humor certo também. Aquela pontada de luxúria e de desejo espalhava-se pela sua alma.

“Eu quero tocar-lhe, desejo tocar-lhe… as suas mãos, a sua face…”, ela pensava.

Perto dela, um casal envergonhado sentava-se num banco da estação. Tentavam afincadamente não revelar demasiado os seus sentimentos. Ele queria-a! Isso era evidente até para quem não lesse sentimentos. E ela devolvia a vontade com a mesma intensidade. Mas algo os bloqueava.

O casal lutava obstinadamente por não se tocar. As suas mãos encontravam-se pousadas no assento, lado a lado, esforçando-se por não quebrar aquela barreira de não mais que um centímetro que os separava.

Aquele sentimento era a cereja no topo do bolo. Era o querer, e a vergonha de querer, era a emoção inicial dum amor repleto de desejo e de carinho. E eles continuavam a resistir ao toque, como se prolongar aquele momento fosse o mais importante. Quando apenas a companhia bastava para ficarem felizes, ansiando mais, mas com medo de o concretizarem.

Joana regozijava-se por poder partilhar aqueles sentimentos. Particularmente quando se formavam nela alguns sentimentos parecidos.

E era tão fácil quebrar o impasse… Enquanto Joana se abastecia daquele humor, indagava se com ela e Mark seria assim. Se alguma vez ela conseguiria encontrar alguém que não a sobrecarregasse com as suas dúvidas. Alguém cuja fé no amor fosse inabalável. Alguém que não se importasse de dar antes de receber, e sem certezas se o receberia. Alguém isento de egoísmo. E seria ela digna desse amor? Uma espia dos sentimentos alheios.

Não! Ela não podia pensar nele dessa forma. Mal se conheciam. A fama dele não abonava a favor do seu carácter e ela prometera afastar-se de complicações amorosas. Ela tinha de se controlar.

Aparecer perto dele, pronta para lhe saltar em cima, ou para se declarar, não eram opções. Isto de misturar os sentimentos dos outros com os dela era muito frustrante. E aqueles pensamentos teriam de ficar para mais tarde. Agora precisava de se concentrar em não revelar demasiado dela e sobretudo em não deixar que Mark percebesse o quanto ela estava a ficar alterada pela sua presença na sua vida. Certo! Ela acreditava que era capaz… Pelo menos até o ver ao vivo e a cores…

Ao chegar ao British Museum, Mark encontrava-se encostado num dos lados da escadaria de acesso. Ele parecia concentrado, sem prestar muita atenção ao que o rodeava. Ignorando as dezenas de pessoas que passavam por ele, munidas de máquinas fotográficas ao pescoço, parecia contemplar o pavimento. Reflectia, mas em quê?

Como se pressentisse a sua presença, Mark levantou os olhos do chão e, quando viu Joana, um sorriso de boas vindas rasgou-lhe o rosto. Os seus olhos brilharam na sua direcção e ela sentia-se tonta, tamanha era a felicidade que sentia.

“Olá”, Mark dirigia-se na sua direcção lentamente, enquanto ela subia as escadas demasiado depressa.

“Olá”, retorquiu Joana, “Esperaste muito tempo?”

“Não. Passou depressa… Eu adoro esperar por ti. Não que o tenha feito muitas vezes, mas acho que era algo a que conseguiria acostumar-me…” na sua voz havia um tom de brincadeira e Mark sorria especulativo, como se tentasse antever a reacção de Joana aos seus comentários demasiado reveladores.

“Não sei. As mulheres são conhecidas por demorarem eternidades até conseguirem sair de casa.”, ela retorquiu num tom jocoso.

“Não me importo de esperar pela perfeição.”

Naquele momento, ocorrera a Joana a novidade dada por Lara. Mark era famoso e tinha uma legião de fãs aí algures, espalhadas pelo mundo.

Joana sentia que já tinha percorrido esta estrada anteriormente, não com uma celebridade, mas com alguns homens que se achavam demasiado irresistíveis para se comprometerem com fidelidade. E essa semelhança era tudo o que ela temia e tudo o que jurara evitar.

O ar que os rodeava mudou, adensando-se até pairar dúvida e dissimulação. Havia algo que Mark lhe queria dizer, ela sentia-o. Mas ele continuava a estar feliz, apesar daquele humor que os rodeava. Isto deveria bastar para ela fugir. Mas, infelizmente ela tinha vontade de correr na sua direcção e não na oposta. Muito burra?!

Ele avançou para ela exibindo um ar determinado. Colocando uma mão na sua cintura, beijou-a no rosto. O cheiro corporal de Mark, misturado com o seu perfume, inundou Joana, acentuando a insegurança que ela sentia, enquanto se perdia naquele odor delicioso que era o dele.

Perante aquele toque tão intencional, ela não sabia como reagir. Fitava-o, exibindo o seu melhor ar de espantada. Já estavam na fase de contacto físico? Ela queria que estivessem? Pois, era claro que sim! Ela não se encolhera, nem sequer hesitara quando ele lhe tocou. Muito sozinha?!

Sorrindo, Joana afastou a face, mantendo o olhar fixo no dele. Aquela proximidade afectava-lhe o juízo e ela não podia esquecer que ele era um profissional do charme e do encanto. Deslumbrar uma mulher seria o que ele faria melhor.

Mark manteve-se sereno e retribuía o seu olhar, com uma intensidade desorientadora.

“Parece que queres perguntar-me algo. O que queres saber? Podes perguntar tudo o que quiseres.”, Mark transparecia sinceridade.

Ele quer ser questionado?! Certo!

Joana esforçava-se por se manter lúcida na intensidade do momento. Estaria preparada para a confirmação dos seus receios? E pior, se se confirmasse que ele era tão leviano como as más-línguas afirmavam, ela quereria fugir dele? Ou seria já demasiado tarde?

Joana estava nervosa. Verdadeiramente nervosa. E Mark também. Ela sentia-o cada vez mais tenso, apesar de tentar manter a máscara da passividade, ele falhava na tentativa de dissimular o que sentia.

Era interessante como ele emanava uma coisa e demonstrava outra. Se não fosse o dom de Joana, certamente as subtilezas do comportamento de Mark passariam despercebidas. E lá haveria outra para engrossar a contagem de engates do playboy do mês.

Após um longo momento, ela conseguiu arranjar forças para falar, apesar de não saber muito bem o que queria perguntar.

“Tu tens alguma reputação…”, iniciou Joana, “Eu não sabia quem eras… fui apanhada de surpresa…”

“Já? Isto bateu todos os recordes!”, Mark afirmava num suspiro desiludido.

“Como já? Não entendo!”, Joana começava a achar que teria cometido um erro ao tocar no assunto. Para quê ser sincero, com quem não é sincero com ele próprio?

“Nem tudo o que se diz por aí é verdade.”, Retorquiu Mark, claramente afectado pelo tema.

Seria então, de domínio público a vida, mais ou menos íntima, dele. E claramente não era a primeira vez que isso teria sido um problema aquando da conquista de um novo rabo de saia. Incomodativo hã?!

“Talvez não… Eu nem sei se isso me importa.” Joana suspirava, falando mais para ela mesma do que para ele.

“Posso contar-te a minha versão? … A imprensa extrapola muito sobre a vida das pessoas. E, para além disso, eu queria mostrar-te primeiro como sou, antes de te contar como os outros me vêem.” Ele estava genuinamente triste, Joana sentia-o. Como se fosse tudo uma grande injustiça.

“Acho que terás a tua oportunidade de falar sobre isto… Guardamos a conversa para mais tarde? Vamos visitar o Museu?”, Joana afirmou, tentando avaliar a verdadeira dimensão do problema, e procurando adiar aquela conversa.

Afinal, o que seriam mais umas horas sem a admissão de culpa do homem? Uma gota no oceano.

E naquele momento as palavras de Mark faziam todo o sentido, porque não conhecê-lo primeiro e depois formar a sua opinião? Resistir ao impulso de escrutinar tudo, seria uma atitude muito corajosa da sua parte, desde que ela não se deixasse apaixonar… Isso é que era perigoso.

Mas ninguém se apaixona em três horas! Podem desenvolver afinidades, formar ligações, até sentir paixão. Mas apaixonar-se, como no caminho para amar, isso não! Ela daria o benefício da dúvida. Podia esperar pela confirmação das suas suspeitas.

“Tens a certeza?”, ele insistiu, de olhar expectante.

“Sim.”, ela assentiu, determinada.

“Falamos depois.”, acedeu Mark. Ele não parecia agradado com a volta que a conversa tinha dado.

Ele queria explicar-se, ele estava ansioso por revelar algo. Não, aquele não era o momento. Talvez houvesse tempo para isso… talvez não. Joana ainda não decidira.

Entraram no Museu e foram cumprimentados pelo seu átrio enorme, de formato redondo, protegido por um tecto envidraçado. A biblioteca Central situava-se mesmo no centro do átrio. Aquele era um sítio onde Joana, ocasionalmente, gostava de passar algumas horas.

Sentindo a excitação do costume ao entrar naquele edifício, ela sabia que passaria despercebida no meio da multidão. Só, no meio de muitos outros. Não havia nada melhor!

A biblioteca central era fenomenal, à semelhança do átrio do museu, esta era um edifício redondo, coroando imponentemente a entrada. As exposições, a permanente e as temporárias, eram sempre de interesse. Ou não fossem eles uma nação de espoliadores mundiais.

Mas ali todos os artefactos tinham o seu lugar, a sua conservação e a possibilidade do público apreciar tais maravilhas. E isto ultrapassava qualquer ressentimento que alguém pudesse ter pelo Reino Unido. Pelo menos era no que Joana queria acreditar.

Mark mostrava um nível de excitação adequado. Ele não era um turista normal e era claro que estas temáticas eram a sua vida. Joana aproveitava o privilégio da sua companhia, para desfrutar de uma visita guiada e ele parecia totalmente disposto a partilhar a sua sabedoria.

Ele estava totalmente à vontade e a sua companhia era emocionante. Enquanto percorriam as diversas salas de exposição, ele fornecia pequenas e oportunas explicações sobre o que viam.

Algumas das suas histórias, sobre as civilizações que haviam produzido os artefactos eram hilariantes, superando com distinção tudo aquilo que Joana havia aprendido na escola. Chegou mesmo a afirmar que, se houvesse mais professores como ele, haveria muito mais arqueólogos no mundo, o que lhe arrancou um sorriso de orgulho.

Mark sentia um verdadeiro prazer quando falava sobre estas temáticas, a sua vocação era visível. E assim, Joana deu consigo enlevada pela sua paixão sobre o assunto. As suas contribuições eram modestas, face àquele nível de conhecimentos, mas ela preferia fazer perguntas do que debater algum tema extensamente. Era melhor aprender do que partilhar a sua ignorância.

E no final de contas, o som da sua voz mexia com ela, agitando convulsivamente as suas entranhas duma forma totalmente nova para ela. Ela queria mantê-lo a falar, queria ouvir a sua voz, apreciar os tons do seu timbre, e deixar-se embalar pela melodia. Era toda uma nova visita guiada. E o destino era as profundezas do seu ser.

Ao passarem um expositor contendo algumas múmias de origem egípcia, Mark agarrou a mão dela. Delicadamente, puxou Joana para mais perto dele. Sob o pretexto de apreciar os pormenores desenhados num dos sarcófagos dentro da vitrina, Mark tomou a mão dela e manteve-a na sua. Os braços de ambos roçavam um no outro, Joana sentia o calor que emanava da pele suave, em contacto com a dela.

O cheiro dele e som da voz dele preenchiam-na como pouca coisa o fizera até à data. E, acima de tudo, era real. Não fora um toque programado. Ele não planeara tocar-lhe, simplesmente estava demasiado embrenhado na conversa para perceber o que fazia até estar feito.

Mas não se arrependia de manter a mão na dela e não queria largá-la. E foram todos estes sentimentos, tão claros para Joana como para Mark, que a fizeram tremer.

Joana tremeu perante o toque da sua mão e este tremor óbvio não lhe passou despercebido. Não se consegue esconder um arrepio assumido e não havia qualquer ilusão de que o tremor não se devia ao que observavam.

Múmias não eram mais assustadoras do que qualquer obra de arte naquele museu. Eram artefactos, coisas mortas, extintas há muito tempo, sem alma, e sem sentimentos. Os vivos eram mais aterrorizadores.

Mark não voltou a largar a mão dela, excepto naqueles momentos em que se aproximavam de algum obstáculo, humano ou outro. E logo após o obstáculo se encontrar transposto, ele apressava-se a retomar a mão dela na dele.

Era como se estarem ligados fisicamente, os afectasse profundamente. Um sentimento tangível, que fazia o ar crepitar à sua volta. Se a ligação se quebrasse, era como se perdessem o ar que os prendia à vida. (…)

Um excerto de “Percepção, uma estranha realidade” de Sara Farinha

Pág.53 – Cap. V – Lisonjeada

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